Dicas
Veja o que é possível mudar no dia-a-dia para frear o aquecimento global
O planeta está esquentando, e o risco de catástrofes naturais, aumentando. E o que você tem a ver com isso? Tudo. A queima de combustíveis fósseis e a produção desenfreada de lixo duas das principais causas do aquecimento global estão diretamente relacionadas ao estilo de vida urbano, consumidor e predador da natureza que os humanos vêm adotando de modo cada vez mais acelerado.
Dá para mudar? Dá. Até mesmo na vida cotidiana, vivendo em cidade grande, morando em apartamento, trabalhando em prédio fechado com ar-condicionado e tendo carro.
Folha ouviu especialistas e reuniu dicas simples para cuidar melhor da Terra e reduzir o impacto da nossa passagem por aqui. Para construir um planeta menos arriscado onde viverão seus netos e os netos dos seus netos. Para ser sustentável no dia-a-dia.
É claro que não é tudo. Há ameaças maiores. Somos moradores do país que concentra um terço das florestas mundiais e que ainda as desmata. Temos a maior biodiversidade do planeta e poucos governantes atentos a isso.
"Embora possamos dar várias contribuições individuais, lamento dizer que, a menos que os brasileiros assumam a liderança de cobrar o fim dos desmatamentos e das queimadas de suas florestas, os esforços cotidianos significam pouco", comenta o ecólogo norte-americano Douglas Trent.
As ações individuais, embora louváveis, não são suficientes, concorda Miriam Duailibi, coordenadora-geral do Instituto Ecoar. Para ela, é preciso pressionar empresas e governos para que se comprometam a adotar soluções sustentáveis. "As pessoas têm que agir como indivíduos mas também como comunidade, eleitores, investidores e consumidores."
Ainda que sigamos todas as sugestões, será pouco. Estará apenas plantada a semente de uma nova relação com o planeta. Levará tempo para que brote, vingue e floresça. Mas, no futuro, os herdeiros da nossa espécie agradecerão pelos frutos desse gesto.
Substitua as lâmpadas
Você sabe, afinal, por que tanta implicância com a lâmpada incandescente?
Nossa velha conhecida é uma invenção tão genial que virou sinônimo de boa ideia e têm tantas vantagens que fez parte de nossas vidas por longos 130 anos, desde sua invenção por Thomas Edison.
Mas hoje em dia, sua desvantagem não pode mais passar despercebida, ela é extremamente ineficiente, pois apenas 5 a 10% da energia consumida em uma lâmpada incandescente é convertida em luz e o restante é desperdiçado em forma de calor.
Já uma lâmpada fluorescente gasta 26% da energia usada por uma lâmpada incandescente comum para gerar a mesma quantidade de luz.
Hoje se fala muito nas lâmpadas LED (light emitting diode ou diodo emissor de luz), elas consomem menos energia e duram mais tempo, mas ainda têm limitações de potência, eficiência e custo.
Você sabia que…
- Trocar uma lâmpada incandescente por uma fluorescente pode resultar em uma economia de 80% em consumo de energia?
- E que cada ponto de luz que sofrer essa alteração pode significar uma economia de US$ 10 por ano na conta de luz?
- Se em 1 milhão de residências, cada uma trocasse 4 lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas, cerca de 900 mil toneladas de CO2 deixariam de ser lançados na atmosfera?
Esse é apenas um dos inúmeros exemplos de mudança de hábitos que cada um de nós pode adotar para fazer a sua parte no combate ao aquecimento global.
Consuma menos
Você conhece o blog Eco-Chick?
Ele foi criado em 2005 pela bióloga e geóloga americana Starre Vartan, que dá dicas valiosas sobre o consumo consciente.
Confira a entrevista a seguir, que saiu na revista Exame, em 02/12/09, onde ela analisa o crescimento da onda de artigos ecologicamente corretos.
Qual a principal regra que o consumidor precisa seguir para estar em sintonia com a sustentabilidade?
Consumir menos. Essa é a forma mais simples tanto de economizar dinheiro quanto de reduzir seu impacto pessoal no meio ambiente;
Não é ingênuo demais falar em reduzir o consumo numa época em que bilhões de pessoas esperam justamente o contrário: vencer a barreira da pobreza para poder consumir?
Quem precisa consumir menos hoje são as pessoas dos países mais ricos. Quando as faixas menos favorecidas conseguirem acesso ao mercado, o ideal é que já tenhamos uma cultura de consumo consciente;
Até que ponto o preço dos produtos sustentáveis inibe seu consumo?
De fato, em geral, os produtos sustentáveis ainda são mais caros. Nessas ocasiões, o consumidor deve lembrar que está pagando mais por um meio ambiente mais saudável. Isso tem preço? Mas é preciso lembrar também que é possível consumir de forma consciente sem gastar muito. Comprando em feiras livres, por exemplo;
A compra em feiras livres não é uma solução simplista e ultrapassada?
A solução é comprar alimentos de sua região, encontrados em lugares diversos: de feiras livres a hipermercados. Quando se pensa em consumo consciente, é preciso colocar na conta itens como o combustível do transporte dos produtos e até o gasto com as embalagens;
Quais os setores da indústria de produtos sustentáveis que crescem mais?
As empresas de moda ecologicamente correta crescem num ritmo mais rápido. Há linhas de moda ecológicas hoje de todo preço, da alta-costura ao mercado de massa;
Apesar disso, a indústria da moda ainda é alvo constante de protestos radicais, como os de manifestantes espirrando spray em casacos de pele. O que a senhora acha dessas manifestações?
Defendo os protestos e os boicotes de produtos como uma forma de pressionar por mudanças. Os consumidores devem usar a voz e a opinião para fazer com que essas empresas assumam que suas práticas e produtos são tóxicos;
Numa lista publicada em seu blog, empresas como Walmart e Nestlé foram classificadas entre as campeãs de irresponsabilidade ambiental. A senhora não reconhece nenhum avanço delas nos últimos anos?
Algumas delas estão se esforçando sim, como é o caso do Walmart, mas ainda têm muito trabalho a fazer para limpar sua imagem.
Acredito que essa seja a mais importante de todas as orientações para o combate ao aquecimento global.
Somente mudando radicalmente nossos hábitos de consumo, teremos impactos realmente significativos ao meio ambiente.
Adote o transporte verde
Eu posso me gabar por quase nunca precisar usar o carro para me locomover, e também sei, que em uma cidade com São Paulo, isso é exceção.
Mas se você não tem o privilégio de morar próximo ao trabalho, aí vão algumas dicas para amenizar a sua parcela de emissão de poluentes à atmosfera:
- Evite ao máximo usar o carro, vá a pé aos lugares próximos à sua casa;
- Compre uma bicicleta e comece a pedalar;
- Opte pelo transporte público sempre que possível.
Mas se o uso do carro for inevitável…
- Programe um sistema de carona com vizinhos e colegas de trabalho;
- Participe do Programa de Inspeção Veicular Ambiental;
- Mantenha a calibragem correta dos pneus, isso gera uma economia de um tanque de combustível por ano;
- Opte pelos modelos de veículos que participam do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular.
Você sabia que…
- Se 1 milhão de motoristas deixassem o carro em casa, por pelo menos um dia, 20 mil toneladas de CO2 deixariam de ser emitidas à atmosfera?
- 10,45 bilhões de litros de gasolina são desperdiçados anualmente pelos americanos parados em congestionamentos de trânsito?
- Se 1 milhão de pessoas adotassem um sistema de carona, 1,7 milhão de toneladas de CO2 deixariam de ser emitidas à atmosfera?
- Andar de bicicleta por meia hora por dia pode aumentar sua expectativa de vida em cerca de 4 anos?
- Se 1 milhão de pessoas deixassem o carro em casa, uma vez por semana, e percorressem 11,5 km de bicicleta, seria possível reduzir a emissão de 100 mil toneladas de CO2 ao ano?
Sabemos que as nossas cidades ainda são muito deficientes quanto à qualidade dos transportes públicos e que muitas mudanças precisam ser feitas de modo a incentivar o uso desse transporte em massa, mas isso não quer dizer que não podemos fazer a nossa parte para minimizar o problema.
Esse é apenas um dos inúmeros exemplos de mudança de hábitos que cada um de nós pode adotar para fazer a sua parte no combate ao aquecimento global.


